segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O verdadeiro problema

"(...) O que parece é que os procuradores tiveram medo das respostas de Sócrates. É que, como qualquer jornalista sabe, o contraditório pode estragar uma boa história... Se as perguntas não foram feitas é porque não existem. Com a sua publicação, porém, os procuradores insinuam que o PM não é acusado... mas talvez devesse ser! Foi isto que o PGR nunca viu em despacho nenhum. E é isto que faz do despacho de Paes de Faria e Vítor Magalhães um exercício mais próximo dos julgamentos por ordália, na Idade Média, do que das garantias jurídicas do nosso tempo.
Mas, na sua declaração intempestiva, Pinto Monteiro coloca, sem querer (?), um problema pertinente: será o MP dominado pelos sindicalistas? E terão eles uma agenda política que, como diz Pinto Monteiro, se aproxima da de um pequeno partido? Das palavras do PGR, é possível concluir que a investigação judicial pode ser orientada para fins políticos. É uma declaração grave e tardia. Mas é a primeira vez que um PGR o admite. Significa isto que todos os grandes processos mediáticos, da Casa Pia aos submarinos, podem estar inquinados por motivações políticas ocultas. O que arrasaria completamente a máquina judicial portuguesa. E nos colocaria no limiar da saída do grupo de países que se reclamam do Estado de Direito."

(Filipe Luís, na Visão)


(foto)

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