terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wireless


(Cliquar na imagem para ampliar)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sem surpresas

Depois disto, ainda haverá quem questione porque Cavaco nunca colocou um cravo na lapela nas comemorações do 25 de Abril?...

Hino ao futebol

Nos últimos anos, o Barcelona tem sido a equipe que me tem proporcionado os melhores momentos de futebol e tem provado, caso dúvidas existissem, que este desporto é uma arte. Mas uma arte ao alcance de poucos. Messi, Xavi, Iniesta, Villa, Busquets, Pedro e tantos outros do Barça são verdadeiros artistas da bola e transformam uma pequena bola num mundo de magia e sonhos. Nunca me esquecerei, por exemplo, os 6-2 em pleno Bernabéu há dois anos, numa exibição de luxo do Barça. Ou os 3-0 dois anos antes, com Ronaldinho a marcar dois belos golos, em que acabou aplaudido pelos adeptos blancos.
É difícil, sobretudo ainda com o jogo de há pouco bem fresco na memória, dizer se o melhor treinador do Mundo é Mourinho ou Guardiola. Enquanto o primeiro é pragmático e tem como objectivo a vitória, o resultado, o segundo procura, acima de tudo, proporcionar expectáculo a quem assiste aos jogos dos blaugrana, sendo que o bom futebol acabará, inevitavelmente, por levar ao sucesso. E assim tem sido nos últimos três anos, desde que está ao leme do conjunto catalão. É verdade que tem "apenas" o melhor do Mundo ao seu serviço, mas o mago argentino não explica todo este sucesso e toda esta qualidade. Tal como a larga maioria dos jogadores, Guardiola é catalão e adepto do Barça e isso vê-se de cada vez que olhamos para eles - treinador e jogadores - a "sentir" a paixão de treinar ou jogar no clube do coração. Dos nomes acima mencionados, apenas Villa não é culé. Mas aos outros, podemos juntar Valdés, Piqué, Puyol ou Bojan, todos das "escolas" do Barça. Todos eles sentem prazer ao jogar naquele clube, a motivação é natural, nasce com eles, ao contrário das restantes equipes.

Do outro lado, hoje tinham Mourinho, Cristiano Ronaldo e alguns dos melhores do Mundo. Ainda sem uma derrota esta temporada, os agora ex-líderes da Liga espanhola apresentavam-se com uma enorme motivação: mostrar que, este ano com Mourinho, o domínio catalão iria terminar. Pode terminar, pois ainda estamos em Novembro e até Maio muito jogos serão disputados, mas a exibição não deixa marca para dúvidas. Com o Barça a jogar assim, será extremamente difícil alguém os vencer. Mesmo com Mourinho e Ronaldo. Os números - 5-0 - podem parecer, para quem não viu o encontro, exagerados, mas se pecam é por defeito, pois poderiam ter sido 7 ou 8, tal o caudal ofensivo e a série de perdidas do Barcelona (Casillas foi o melhor do Real, ao defender três golos quase certos). A partir dos 4, o Real dedicou-se à arte de "distribuir fruta", mostrando um péssimo mau perder e, até, mau feitio, com destaque para Sergio Ramos, que foi expulso após duas agressões num espaço de segundos. Ricardo Carvalho também deveria ter sido expulso, mas o árbitro foi simpático. Para a História, fica o resultado e na memória o belíssimo espectáculo proporcionado. Um verdadeiro tratado de bola, uma lição de bom futebol. E mais uma vez, pelo Barcelona, pois claro. A semana passada, depois da goleada do Barça por 8-0 em Almería, Ronaldo disse que queria ver se o Barça goleava o Real esta semana. Pois goleou. E goleou bem.

(foto)

Eleições para a Ordem (2)

Há três anos, Marinho Pinto foi eleito Bastonário, mas os eleitos para os restantes órgãos da OA não o apoiavam. Os resultados ficaram à vista: José Antonio Barreiros no Conselho Superior e Carlos Pinto de Abreu no Conselho Distrital de Lisboa fizeram oposição ao Bastonário, abrindo um conflito sem precedentes. Pedro Raposo (que integrava a lista de Magalhães e Silva) no Conselho de Deontologia de Lisboa foi a excepção e não chegou propriamente a entrar na guerra.
Na passada sexta-feira, a história repetiu-se: Marinho Pinto reeleito para Bastonário e, para os restantes órgãos, os advogados escolheram os candidatos da lista de Fragoso Marques, todos opositores ao Bastonário. Sinceramente não sei o que esperar, mas acredito que todos eles compreendam que os advogados escolheram, voltaram a eleger Marinho Pinto para o mais alto cargo da Ordem e os candidatos pela lista de Fragoso Marques aos restantes órgãos. Escolheram-nos porque consideram que são os melhores para cada função, pelo que os eleitos terão que aceitar os resultados e respeitarem-se mutuamente, o que não sucedeu até agora. Terão que trabalhar em prol da advocacia e da Justiça e não em prol de interesses corporativos e guerras mesquinhas e fúteis. Esperemos que sim.

(foto rapinada daqui, com a devida vénia)

Interesses

É por estas e por outras que defendo a incompatibilidade entre a advocacia e o cargo de deputado.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Grande surpresa

O jantar de um blogue cuja esmagadora maioria dos autores apoia e está, directa ou indirectamente, ligada ao PSD e a Passos Coelho, teve como convidado surpresa... Passos Coelho. É, sem margem para dúvida, uma ENORME surpresa...

Eleições para a Ordem

Cerca de 27 mil advogados escolhem hoje os novos órgãos da Ordem dos Advogados. Porém, o cargo mais mediático é o de Bastonário, que, nesta eleição, merece maior preocupação e atenção. A luta parece renhida entre dois dos candidatos e a decisão poderá ser por poucos votos, ao contrário do que sucedeu há três anos. Veremos é se fica tudo decidido ainda hoje, pois desconfio que, havendo impugnação dos resultados, é bem provável que estes sejam anulados.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Aspirina B

Cinco anos a evitar gripes. Parabéns Valupi!

Até me comove (2)

O Correio da Manhã* partilhou com os leitores a tristeza da família do líder do PSD, que, segundo o próprio Pedro Passos Coelho, terá um Natal poupado. A jornalista do CM, Vânia Nunes, poderia é ter-lhe perguntado quanto é que custaram os fatos que veste...
Tenho tanta pena de PPC quanto daquele deputado do PS que acha que vai passar fome com 3700 euros de salário e quer jantar na cantina da Assembleia da República.

*fonte

Cortes salariais

Há pouco mais de um mês, já tinha abordado o assunto: considero que os cortes salariais, num momento de grave crise económico-financeira, são justificáveis, desde que sejam proporcionais (os cortes devem ser tão reduzidos quanto possível e não poderão colocar em causa a subsistência dos trabalhadores) e excepcionais, isto é, deverão vigorar apenas durante o período estrictamente necessário para o equilíbrio das contas públicas.
Por isto, discordo da posição aqui assumida (fonte), apesar da validade de alguns dos argumentos aí invocados. É que só se pode rebater o carácter imprescindível dos cortes salariais, quando se apresentam alternativas credíveis, exequíveis e realistas. Isto é, quando existam outras formas de cortar na despesa ou aumentar a receita. Como, até ao momento, ainda não houve ninguém que apresentasse uma proposta real e séria que fosse, o argumento de que os cortes são necessários terá de prevalecer.
Outra questão é o carácter permanente - ou eterno - da redução dos salários. Ao contrário do que foi dito por Sócrates, Teixeira dos Santos já afirmou que os cortes são para se manter, mesmo após o equilíbrio das contas públicas. Há quem defenda que não viola a Constituição, nomeadamente pelo facto de os salários, voltando aos valores anteriores aos cortes, colocarem novamente em causa o equilíbrio das contas do Estado. Entendo que tal argumento não convence, pois os cortes salariais devem consubstanciar uma receita extraordinária (ou um corte na despesa extraordinário) e não um expediente ordinário e usual, com carácter repetitivo.
Em suma, não me parece que os cortes salariais previstos no Orçamento para 2011 violem a Constituição. Ou alguém avança com uma alternativa séria e credível à receita gerada por estes cortes (um mal menor), ou parece-me que o Tribunal Constitucional deixará passar esta medida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Greve à greve (2)

Três leituras obrigatórias sobre os verdadeiros interesses da greve de hoje: Pedro Correia, Sérgio de Almeida Correia e João Magalhães. Esta última lembra-me um velho método do PCP, que aqui contei. Os tempos mudam, mas os comunistas não.

Greve à greve

Ideologicamente, não tenho inclinação para apoiar mais os trabalhadores ou os patrões. Entendo que uns sem os outros não são nada. E por isso, tenho uma posição muito pouco "ortodoxa" em relação à figura da greve. Considero que deve ser um direito dos trabalhadores e deve estar bem delineado na legislação. É assim que acontece em Portugal, mas não em alguns países. E não deixa de ser curioso, até, que quase todos os países que não admitem a greve tenham regimes idoletrados pelos principais defensores da greve em Portugal. Falo, obviamente, dos comunistas.
Admito, todavia, excepções: forças de segurança e forças armadas. E considero que em determinados sectores, por serem essenciais e fundamentais, a greve deve ser limitada aos serviços "não essenciais" e não urgentes. É o caso da Justiça. E, depois, temos dois sectores que tenho enormes dúvidas se deveriam ser impedidos de fazer greve: a Saúde e os transportes. É que a greve enquanto direito legalmente atribuído, deve ser proporcional aos direitos que são "afastados" pelo seu exercício. Por exemplo, o motorista do autocarro ou do metro tem o direito a fazer greve (não trabalhar) e os utentes têm direito a deslocarem-se, nomeadamente para o seu emprego (e que até já pagaram esse serviço, no caso dos passes). Ora, o exercício do primeiro direito impede o exercício do segundo. E, como tal, deve ser proporcional. Daí os serviços mínimos ou as requisições civis...

Porém, a greve deixou de ser praticada pelos fundamentos com que foi criada. A sua ideologia - e, principalmente, o seu fim - foi subvertida pelos sindicatos que deixaram de ser defensores dos trabalhadores para serem meros veículos de propaganda de partidos e meio de oposição aos governos, à custa, claro, dos que supostamente representam. A greve passou a ser um meio de chantagem, em que as vítimas são terceiros, inocentes. Como não conseguem prejudicar o Estado, prejudicam os cidadãos. É como o raptor, que exige dinheiro senão mata o refém, que é inocente e nada tem a ver com aquilo. E temos ainda o terrorismo sindical, como aqui bem vincado. Uma coisa é exercer um direito, outra, bem diferente, é impedir que outros exerçam os seus. É engraçado que quem faça greve, invocando os seus direitos, acabe por oprimir... os direitos dos outros.
Por fim, temos a questão da legitimidade da greve. Como já aqui escrevi, por diversas vezes, todos somos culpados pelo estado do país. Somos egoístas, só pensamos em nós e não queremos saber dos outros para nada e fazemos aquilo que criticamos nos outros, sobretudo nos governantes e nos políticos. Criticamos e ficamos indignados por meterem cunhas para a família, pelos "tachos" com salários chorudos, mas pedimos ao nosso amigo ou ao nosso vizinho que trabalha no serviço, para sermos atendidos de imediato (passando à frente de dezenas de pessoas). Muitos do que hoje fazem greve, são os que "sacam" músicas e filmes nas horas de trabalho, para depois trabalharem ao final do dia, cobrando horas extraordinárias. As verdadeiras vítimas da crise não têm voz nem possibilidade de fazerem greve. Em Queluz, por exemplo, cada vez se vê mais pessoas a procurarem por comida e roupas nos contentores do lixo, ou ajuda junto das instituições de apoio social. Estes, sim, são os verdadeiros prejudicados pela ganância dos Bancos e dos grandes grupos económicos (que continuam a lucrar milhões e ainda tentam fugir aos impostos, antecipando, por exemplo, o pagamento de dividendos), mas não têm direito a fazerem greve, pois nem sequer têm emprego. Estes é que têm razão de protesto e não aqueles que terão de vender o BMW e contentar-se com um Opel ou um Fiat ou outra marca qualquer de veículos mais económicos. Ou que terão de largar o ginásio ou o colégio privado dos filhos.

Hoje fiquei em casa a trabalhar. Estou a fazer greve à greve. E fiquei em casa, pois não há transportes e não estive para pegar no automóvel para ir trabalhar. Aproveitei, logo de manhazinha, a tratar de uma compra urgente e deparei-me com enchentes nos estabelecimentos comerciais. É mais uma coisa engraçada, as pessoas fazerem greve por receberem menos dinheiro e... vão gastar dinheiro para as compras. Irónico? Ora essa! Estamos em Portugal!...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Silêncio ensurdecedor

Há dias, escrevi isto sobre o escândalo de uma suposta rede de prostituição que envolvia clientes VIP, como políticos, juízes, futebolistas, etc. Comentei que era estranho um caso com esta dimensão não ser comentado por quase ninguém nem ter tido o impacto que outros casos, bem menores e menos graves, tiveram. Eduardo Pitta foi a única excepção que encontrei na blogosfera, o único que comentou este caso. Tantos bloggers que mostraram indignação com outros casos bem menos graves e agora nem um caracter escreveram...
Este silêncio é ensurdecedor. Porque ninguém comenta, porque anda tudo calado? Será medo? Será que os envolvidos são pessoas conhecidas, chegadas, amigas? Será que não envolve Sócrates e/ou o PS e, como tal, não interessa porque está na moda é malhar neste governo?
Cada vez fico mais convencido de que é precisamente por causa disto que não teve o feedback que se esperaria, que nos leva a outras questões, mas, essas, prefiro guardá-las para mim...

(na foto, Carlos Pinota, suposto organizador da rede)

sábado, 20 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma dúvida

A Fernanda Câncio pergunta como é possível impedir a entrada de cidadãos europeus em Portugal. Convinha saber se o espaço Shengen foi "fechado" e se o controlo nas fronteiras portuguesas foi reposto ao abrigo do Acordo de Shengen ou se se trata de uma medida do governo para impedir a entrada de manifestantes anti-NATO. Se no primeiro caso, a medida é legal, já na segunda configura inclusive um crime por parte das autoridades policiais e que viola direitos constitucionais - e igualmente protegidos pela Carta Europeia dos Direitos do Homem. O problema é que os nossos jornalistas, tão competentes, não se lembraram de averiguar esta situação.
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Adenda: como calculava, o Acordo de Shengen foi mesmo suspenso, pelo que é legítima a decisão das autoridades.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Há dias assim

Todos nós temos dias em que nos sai tudo bem. Ou tudo mal. Hoje foi um desses dias, quer para portugueses, quer para espanhóis. Se para os primeiros, a atitude agressiva e combativa, com a ajuda da inspiração, traduziu-se numa goleada histórica, para nuestros hermanos a apatia levou ao descalabro. E só não foi uma mão cheia graças a um duplo erro grosseiro do árbitro auxiliar, que viu um offside de Nani inexistente (estava em linha aquando do remate de Ronaldo e toca na bola já dentro da baliza, pelo que teria que ser validado golo de Cristiano). A partir de amanhã, Portugal voltará a ser respeitada pelo Mundo do futebol, respeito esse perdido por Queiroz. Postiga, Moutinho e Carlos Martins, três dos melhores de hoje, foram "esquecidos" por Queiroz e Pepe, como central, "varreu tudo" e não perdeu, pelo menos que me recorde, um único lance com os adversários que lhe apareceram no caminho, incluindo situações de extrema dificuldades para um defesa (contra-ataques rápidos), o que serve de prova para Queiroz perceber que é defesa e não médio, como insistia em o colocar em campo. Mas não poderemos embandeirar em arco este resultado. Sim, o marcador final fica para História, a exibição na memória, mas convém não esquecer que a Espanha veio descontraída (ao contrário de Portugal, que queria muito vencer, para apagar a imagem dos dois últimos anos) e que se tratou de um amigável, não contando para nada senão para as contas do orgulho lusitano. E, claro, estavam em "dia não". Todavia, se alguém tinha dúvidas sobre a capacidade de Paulo Bento para orientar a Selecção, estou certo que, depois deste jogo, deixou de as ter.

Greve de zelo? (4)

"Fiquei pasmado, como toda a gente, creio, com um despacho de um juíz que decidiu reduzir o seu "horário de trabalho" diário em duas horas devido à redução da remuneração no próximo ano. É que os juízes, como todos os magistrados como outras categorias profissionais, não têm horário de trabalho, o que significa que têm que assegurar o serviço a seu cargo, ainda que com algum sacrifício, enfim o sacrifício exigível. A invocação de "horário de trabalho" pelo dito magistrado mostra à saciedade que ele errou a profissão, que não passa de um burocrata mascarado de magistrado.
Mas, para além desse caso patológico, ouço falar de uma certa "desmotivação" por parte de muitos magistrados, desmotivação para manter o normal e habitual ritmo de trabalho. E isso espanta-me. É que os magistrados não trabalham para o Governo, nem sequer para o Estado. Eles trabalham directamente para os cidadãos, para o Povo. É precisamente isso que, no fundo, os distingue dos funcionários públicos.
É certo que é o Estado que lhes paga. E por isso é com o Estado (com o Governo, com a AR) que devem negociar o seu estatuto remuneratório e é "contra" eles que devem desenvolver as formas de luta admissíveis. Mas formas de luta assumidas frontalmente, não encapotadamente.
Reduzir o volume de trabalho, em retaliação contra o Estado, é afinal lesar os cidadãos, já penalizados pelos mesmos motivos. (...)"


Este texto foi ontem escrito pelo Juíz Conselheiro do STJ Eduardo Maia Costa, sobre o já famoso despacho judicial do Juíz de Alenquer. E toca num ponto até aqui esquecido: a verdadeira função de Juíz. Tanto reclamam que não são funcionários públicos, mas antes titulares de um órgão de soberania (Tribunais) - e com razão - para depois alguns deles comportarem-se como burocratas e funcionários do Estado. Os advogados que prestam apoio judiciário - e aqui falo por mim e pelos colegas que conheço - são pagos pelo Estado (IGFIJ), mal e tardiamente, como é do conhecimento geral. O governo tem um prazo legalmente fixado para pagar as oficiosas, mas atrasa-se quase sempre e não paga juros pelos atrasos (o habitual em Portugal). Mas não é por aí que deixamos de ajudar as pessoas que representamos oficiosamente, pois são cidadãos com direitos, sem recursos financeiros para pagar honorários a advogados. Se adoptássemos a mesma atitude do magistrado de Alenquer, estaríamos não a retaliar com o Estado, mas a prejudicar injustamente os cidadãos, que nada têm a ver com o litígio entre advogados (ou juízes) e Governo. Porque a nossa função é defendê-los e proteger os seus direitos. E é por causa disto que nunca houve uma greve "geral" da classe por incumprimento do Estado das suas obrigações, mas apenas um ou outro caso pontual de contestação, como sucedeu numa Comarca ou com os defensores oficiosos de um mega julgamento, num determinado processo. Não posso, pois, deixar de concordar com Maia Costa: o magistrado de Alenquer não serve para Juíz, pois, pelos vistos, não assumiu a "alma" das suas funções e as responsabilidades inerentes ao cargo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A sarjeta de Dâmaso (2)

Vale a pena ler o Pedro Marques Lopes. Está lá tudo. Isto já não é, de facto, sobre jornalismo, mas sobre ética e em que sociedade que queremos viver.

Notas breves

1. Como aqui bem assinalado, o Banco de Portugal não se encontra numa posição excepcional face a outros casos análogos, sobretudo os Juízes. É óbvio que o BdP não perde a independência por causa de um corte salarial, corte este que abrange todos os sectores públicos. Aliás, nos últimos anos o BdP tem assumido um papel de subserviência à Banca nacional e aos seus interesses, quase sempre em detrimento dos clientes destes, pelo que não deixa de ser irónico que o BdP venha agora falar em independência...

2. Ao não conceder tolerância de ponto ao serviços municipais durante a cimeira da NATO, António Costa está a decidir de forma diferente do que fez numa situação análoga e bem recente: a visita do Papa. Os double standards são sempre maus, mas este é agravado pelo facto de a Câmara ter gasto rios de dinheiro com a visita papal, quando houve donativos para o efeito e que - pasme-se - ainda não foram sequer contabilizados, conta esta que é paga pelos contribuintes que apertam cada vez mais o cinto. Ou António Costa explica muito bem o porquê de ter tomado decisões diferentes para casos semelhantes, ou não escapará à acusação de estar deliberadamente a favorecer a Igreja Católica, à revelia do princípio da separação entre Estado e Igreja.

3. Sines tem tudo para ser um dos principais portos de entrada de mercadorias na Europa, mas nunca teve a sorte de apanhar um governante minimamente competente para o aproveitar. Há tempos e sobre o TGV, Basílio Horta chamava a atenção para a importância da linha de alta velocidade partir de Sines, ligando o porto à Europa por via ferroviária. Seria uma aposta rentável e altamente importante para o desenvolvimento do país. Sou a favor da alta velocidade, com duas condições: a bitola ser a mesma do resto da Europa (e não a bitola ibérica, que obrigaria a trocar de carruagens em Espanha); e servir para o transporte de mercadorias (partindo de Sines) bem como de passageiros (com estação em Lisboa). Este sim, seria um investimento no TGV acertado e, estou certo, bem sucedido a longo prazo. Os EUA estão a apostar numa rede nacional de alta velocidade, que, a médio/longo prazo, substituirá a aviação civil, dependente do petróleo. Em vez de se discutir um novo aeroporto, que não terá aviões graças ao esgotamento do crude, deveria, sim, discutir-se esta ideia. Mas como não temos ninguém com cabeça para pensar estas coisas...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Greve de zelo? (3)

Há dias questionava-me como é que o magistrado de Alenquer iria colmatar a redução de 600 euros no salário trabalhando menos. Há quem tenha avançado já uma possível resposta: juízes-a-dias.

Em exibição num Tribunal perto de si

Recebi este excerto de um despacho judicial (a parte relevante - ou interessante), tendo "tapado" as referências ao Juízo, à Secção, ao nº de processo e aos nomes nele indicados. Trata-se de um despacho real e recebi-o com os dados que omiti. Fiquei estupefacto com o que li, mas, infelizmente, já nada me espanta nos tribunais portugueses. E é também por causa disto que o país está como está e não saímos da cepa torta...

(as imagens deverão ser visionadas da esquerda para a direita e poderão ampliá-las cliquando nelas)



A sarjeta de Dâmaso

Nunca comprei o Correio da Manhã e nunca o comprarei. Dou, habitualmente, uma espreitadela no café (é o único jornal lá disponível) mas mais para ler algumas opiniões. Nunca o comprei e nunca o comprarei, poi não considero a actividade praticada pelos "funcionários" do CM como "jornalismo". Aquilo tem tanto de jornalismo quanto a minha profissão de engenharia...
Isto vem a propósito de um artigo (alguns poderão chamar-lhe de "notícia"...) publicado no sábado, sobre certas conversas privadas de uma eurodeputada socialista. Como aqui explicado por um jornalista (este sim, é jornalista na verdadeira acepção da palavra), o artigo é um acto de pulhice e, pior, é demonstrativo da cultura praticada naquela casa, que há muito se dedicou (e se especializou) em julgamentos sumários nas páginas do jornal (geralmente, sem direito a contraditório ou defesa) e ao "jornalismo paparazzi", que vasculha a intimidade a privacidade das figuras públicas, sobretudo políticos. Contrata para as suas fileiras pessoas como Paulo Pinto Mascarenhas, que tem a ética e a moral que todos conhecemos e que mostrou com o artigo, publicado no jornal i (onde então trabalhava), sobre o autor do blogue O Jumento. Enquanto o jornalismo visa informar e transmitir informação aos leitores, aos cidadãos (daí o seu interesse e o seu valor enquanto actividade pública), o CM visa denegrir a imagem de pessoas, violando os seus mais básicos direitos enquanto cidadãos.

Nem vou entrar na questão das conversas publicadas, pois sobre escutas já disse tudo o que tinha a dizer, nomeadamente aqui. A divulgação destas conversas é ilegal e não existe "interesse público" que valha a Dâmaso & Ca. Tivéssemos um Ministério Público atento, corajoso, menos preocupado em fazer guerra ao governo e o jornal já tinha sido processado por violação ao segredo de justiça e já tinha sido aberta uma investigação séria sobre a fonte da violação, de modo a descobrir quem, de dentro da Justiça e do grupo - extremamente restricto - de pessoas com acesso às conversas, se chibou para o CM. Porque toda a gente sabe que o jornal tem imensos contactos nas polícias e nas magistraturas, sobretudo a do MP, mas ninguém tem a coragem de o denunciar. E é também por causa disto que este país está como está e não sai da cepa torta.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A voz dos surpreendidos

Parece que o crescimento do PIB surpreendeu muitos economistas. Estamos, obviamente, a falar dos mesmos que, armados em pupilos de Nostradamus, previam o apocalipse final neste cantinho da Europa, o dilúvio que iria correr com Sócrates e toda aquela canalha de boys, que iria trazer o FMI para por ordem nesta espelunca. Claro que nada disto impede a vinda do FMI e a bancarrota, mas mostra que, apesar dos ataques de tudo o que é sítio, nem tudo corre mal nem só de asneiras vive este governo. E, mais importante, prova como estes economistas são sobrevalorizados pelos nossos media, que vão ouvir sempre os mesmos, como se Portugal tivesse apenas duas dezenas deles por esse país fora. São estes que mais criticam e atiram bitaites para os microfones - sempre disponíveis para os apanhar -, na esperança que o governo e Teixeira dos Santos os ouça, para depois colherem a glória (caso corra bem, claro, senão descartam-se de imediato), são os mesmos que dizem ter as soluções para os problemas e que fariam muito melhor, mas depois ficam "surpreendidos". Quanto à credibilidade destes senhores, estamos, pois, conversados.

Greve de zelo? (2)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Magusto


Debate

Uma hora chegava para se ouvirem ideias novas, mas os três candidatos mostraram no debate de ontem que, na prática, não têm (propostas de) soluções para os problemas da Justiça portuguesa. Ideias generalistas e vagas não são propostas nem remédios para os males e, exceptuando uma ou outra ideia mais concreta quanto ao estágio da Ordem, nada. Um enorme vazio, uma mão (três mãos) cheia de nada. Para mim não será fácil votar dia 26 deste mês para Bastonário. Sei em quem não voto, estou indeciso entre votar em branco ou num determinado candidato. Até dia 26 logo se vê...

Greve de zelo?

Nem tudo o que parece é, mas esta notícia lança a suspeita de se tratar de uma greve de zelo por parte do magistrado judicial. Li a notícia completa e a desculpa avançada pelo Juíz nos despachos enviados aos advogados para o adiamento das diligências é que necessita de prestar assistência à família por causa da crise e dos cortes salariais que irá (ele, o Juíz) sofrer com o orçamento.
Ora, esta desculpa não tem qualquer fundamento. Em primeiro lugar, os cortes serão apenas para 2011, pois a medida será aplicada com o orçamento para o próximo ano, pelo que ainda não sofreu o corte. Em segundo lugar, alega que necessita de prestar assistência à família por causa da crise, mas não explica como. Ora, se necessita de mais dinheiro, então faria sentido, sim, trabalhar mais, de forma a auferir mais em horas extraordinárias, já que está legalmente impedido de auferir outros rendimentos (mesmo a dar aulas).
Nem tudo o que parece é, mas este parece claramente ser um caso de greve.

I wonder why...

Não deixa de ser curioso que, até agora, só tenha lido este post do Eduardo Pitta sobre o escândalo lançado esta semana pelo Correio da Manhã sobre prostitutas e altas figuras (magistrados, deputados, ex-governantes, etc), numa suposta rede que envolve um repórter da RTP. Nenhum dos blogues que tantos posts têm produzido sobre outros escândalos (Casa Pia, Freeport, Face Oculta, BPN) se pronunciou sobre este caso. Estranho? Talvez não.
Não deixa de ser curioso, também, que o jornal que publicou a notícia não tenha, até hoje, referido qualquer nome dos envolvidos, ao contrário do que fez nos restantes escândalos. Estranho? Talvez não.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As duas faces da mesma moeda (2)

Mais duas provas (esta e esta), descobertas pelo CC, de que o PSD não faria, como não fez no passado nem fará no futuro, melhor que o PS.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Movidos pelo ódio.

Antes do Porto - Benfica, o sportinguista Daniel Oliveira comentava no Record a posição dos adeptos leoninos e as suas preferências para o desfecho do clássico entre rivais. Classificou os adeptos do seu clube em três categorias. O próprio insere-se no grupo dos "éticos", que prefere a verdade desportiva e são sempre contra o tráfico de influências, a batota e a barbárie. Mas confessa aquilo que todos sabemos, que esta categoria de sportinguistas é minoritária, pois a larga maioria prefere ver o Benfica perder sempre, mesmo contra o Porto, toldados pelo ódio, como já aqui, aliás, comentei. Já hoje, um dos máximos representantes do clube de Alvalade, ainda por cima advogado, manifestou regozijo pela goleada sofrida ontem pelos vizinhos da 2º Circular. Na blogosfera, bloggers sportiguistas seguiram na mesma linha. Todos contentes, não porque estejam à frente do Benfica (ainda há bem pouco tempo perderam com "este" Benfica), mas porque o inimigo, que tanto odeiam, perdeu e perdeu por margem gorda. Para estes, não interessa se haja batota ou crimes por detrás dos resultados, o que interessa é ver o inimigo sofrer. Vivem para isso e para mais nada. Sem o Benfica não são nada e sentiriam um enorme vazio na alma, porque a sua alma alimenta-se do ódio visceral. Apoiam o Porto, como o fizeram no Apito Dourado, estendendo a mão com a esperança de continuar a auferirem das migalhas atiradas (há algumas semanas alguém perguntava se achavam que, para os "amigos" do Norte, não são mouros). Têm seguido uma cultura e uma gestão de subserviência, que chegou à oferta dos melhores jogadores a preço de saldo. É por causa disto que nós, benfiquistas, distinguimos sportiguistas de lagartos. Os primeiros torcem pelo seu clube e querem o melhor para ele. Os segundos trocem contra o Benfica e querem o pior para este. Os primeiros são verdadeiros sportiguistas, os segundos meros anti-benfiquistas, como se pode verificar nos programas desportivos. E de negativismos a História nunca gostou.

O retrato de Portugal?

Tiago Mesquita, no Expresso, defende que a Casa dos Segredos não é um fiel retrato de Portugal. Pois eu não sei. Começo a pensar que sim, que a maioria de nós é mesmo assim...

Triste Justiça

1. Alega o Procurador Político que "no sector da Justiça, apenas a ASJP não tomou uma decisão definitiva". Ora, que eu saiba, os advogados, que também fazem parte do sector da Justiça, não se pronunciaram sobre a greve ou uma eventual adesão à greve. Portanto, das duas uma, ou o Procurador Político esqueceu-se dos advogados ou então - o que é mais grave - não os considera como membros de pleno direito do sector da Justiça. Eu bem sei que, para a maioria dos magistrados do MP, os advogados estão a mais no sistema judicial e deviam ser exterminados. Mas admiti-lo num órgão de comunicação social é demonstrativo de como chegámos à total falta de pudor e de respeito dos representantes das classes profissionais.

2. Um mata, o outro esfola. Ou se preferirem, junta-se a fome à vontade de comer. Dois ditados populares que caracterizam na perfeição o conluio entre MP e Passos Coelho. O primeiro, na pena do seu representante sindical, criticou a alegada impunidade dos governantes. O segundo, nums desvario de fim-de-semana, veio defender a criminalização daqueles que desperdiçam dinheiros públicos. * Já nem pergunto se Passos Coelho quer ver os seus colegas de partido presos pelo que se passou no BPN (ou será que se esquece do peso desta burla nos orçamentos de estado?), ou o Dr Portas pelos submarinos, pois, por uma questão de coerência, estes teriam que fazer companhia a Sócrates e seus acólitos na ala mais mediática do EPL. Ou mesmo a sua antecessora no cargo, Ferreira Leite, que fez aquele magnífico negócio com o Citigroup. Com uma alternativa destas, que é capaz de criticar este governo?

3. O que veio a público até agora do processo Face Oculta, para além de mostrar como se fazem negócios em Portugal e como se ganham uns trocos para se comer, levantou legítimas dúvidas obre a actuação de certos agentes da Justiça. Há pouco fiquei a conhecer mais um caso extraordinário do nosso MP: a insinuação cobarde, sem provas ou meros indícios. Como não conseguem condenar em julgamento (ou sequer levá-los a julgamento), toca a condenar na praça pública e a deixar dúvidas no ar. Triste.


* Esta coincidência de ideias entre João Palma e Passos Coelho também foi reparada pelo Tomás Vasques.

Parque da Bela Vista, 31 de Julho de 2011



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domingo, 7 de novembro de 2010

Decidido

O título nacional de futebol está decidido. Não ficou decidido hoje, com a goleada (merecida) do Porto ao Benfica, mas ficou decidido depois de Pinto da Costa ter "garantido" que este ano as coisas seriam diferentes, ficou decidido com os almoços e jantares de Pinto de Sousa (prinicipal arguido do Apito Dourado) com árbitros logo no início da época, ficou decidido com a prestação execrável de Olarápio Benquerença em Guimarães, ficou decidido com a vantagem rapidamente conseguida pelo Porto (que não existiria se não tivessem havido erros da arbitragem), ficou decidido em Maio quando o Benfica se sagrou campeão nacional e fez eclodir ódios e medo de perderem a hegemonia do sistema. É fácil dizer que o Porto é de longe - porque o é - a melhor equipe nacional neste momento. É fácil quando se ganha balanço à custa de factores externos, é fácil quando se tem ajuda. O ano passado fizeram-no com o Braga, mas o Benfica, apesar de muitas jornadas atrás do minhotos na classificação, conseguiu ser mais forte que tudo e todos (incluindo ao roubo de Braga, protagonizado pelo árbitro ex-super dragão Jorge Sousa) e ascender ao primeiro lugar e conquistar o título. Este ano, como já se viu, não tem a qualidade que tinha na época transacta e terá que se dedicar às restantes competições. E esperar que o Sporting, toldado pelo ódio ao Benfica, acorde para a vida e se coloque no lado certo na guerra pela Justiça e pela verdade desportiva, para que os jogos e as competições se decidam no relvado e pelos jogadores - e só por eles.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Justiça falha (2)

Fica mal a quem trabalha diariamente num Tribunal, ainda por cima no Supremo, não admitir que errar é humano e toda a gente erra. Concordo que o programa da SIC acaba por fazer um julgamento público (normalmente o julgamento nos jornais visa condenar os suspeitos, mas neste caso visa absolver), mas perante tantas dúvidas - legítimas e coerentes - fica-nos bem admitir que todos nós podemos errar, que ninguém é perfeito nem há deuses que aplicam a Justiça sem falhar. Infelizmente (e neste ponto concordo com o Bastonário da OA), alguns juízes consideram-se deuses que vivem no Olimpo, longe do Povo e longa da realidade. Pensam que nunca erram e consideram-se perfeitos. Julgam-se livres de defeitos e ricos em virtudes. Por muitas críticas que o programa mereça, não merecia, certamente, um ataque destes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As sentenças de Proença (2)

O penalty fantasma de Yebda sobre Lisandro, há dois anos, foi apenas um entre muitos casos em que o suposto sócio do Benfica prejudicou o Benfica e ajudou o Porto, como aqui bem recordado. O historial desta personagem é vasto e o curriculum esclarecedor. Domingo teremos, estou certo, da confirmação de que este sujeito é mesmo sócio do Benfica.

Incompetência ou manipulação? (2)

Entretanto, às 11:50 de hoje, sexta-feira, a incompetência ou a manipulação continua no Expresso. Jornalismo do bom, este...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Justiça falha

E todos os dias. Estes casos, relatados pela SIC no programa "Condenados", são apenas alguns exemplos. Errar é humano e todos nós erramos, mas quando está em causa a vida e a liberdade das pessoas e se condena sem provas inequívocas e irrefutáveis e sem certezas algo está mal.

Incompetência ou manipulação?

O CC chamou a atenção para uma notícia falsa do Correio da Manhã, que era igual à do Expresso. Escrevo "era" porque, entretanto, o CM corrigiu e lá alterou o título. Mas o Expresso, à hora que escrevo (19h), continua com o título errado.
Perante a fonte do notícia não se compreende como é que os jornalistas escrevem uma peça com dados falsos. Ou fazem-no por distracção, que significa incompetência, ou fazem-no propositadamente, que significa manipulação grosseira da informação. Bem sabemos quais são as preferências políticas destes dois jornais, mas, já dizia a personagem do Herman José Diácono Remédios, não havia necessidade...
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Adenda: parece que se trata de incompetência pura e dura, pois os textos do CM, do Expresso e de outros jornais é igual ao take da Lusa. Ou seja, trata-se de mais um (entre inúmeros) caso em que os jornalistas copiam o texto original (copy/paste), sem analisarem a fonte da informação e sem compara-lá com o texto que copiam da Lusa. Ou seja, por desleixo acabam por copiar os erros dos outros. Depois admiram-se de venderem poucos jornais em Portugal. Pudera!

As duas faces da mesma moeda

Faz hoje uma semana que questionei se o País estaria melhor se tivesse sido o PSD a governar em vez do PS. A resposta é necessariamente negativa, não só pela falta de ideias do PSD (que se traduziu num vazio de propostas para colmatar os 500 milhões de euros), como pelas previsões semelhantes dos economistas afectos ao PSD (até Cavaco reconheceu, no recente anúncio de recandidatura, que se enganou nas previsões) e, sobretudo, pelo passado do partido no governo. De facto, quando governou o PSD cometeu os mesmos erros do PS e a situação financeiro-económica do país piorou tanto ou mais do que com os socialistas no poder. Estes dados*, objectivos e claros, mostram como as coisas muito dificilmente teriam sido diferentes com os sociais-democratas a mandar. Alguns exemplos: o TGV, tão criticado, também fez parte dos planos do último governo PSD; o novo aeroporto teve a concordância dos sociais-democratas a partir do momento em que foi "transferido" para a Margem Sul; os submarinos eram ideia de Guterres e Paulo Portas/Durão Barroso/Ferreira Leite; os gastos do Estado aumentaram mais com o PSD do que com o PS, apesar deste ser tão (justamente) criticado pelos primeiros. Muitos outros exemplos poderia dar, muitos outros nos lembramos. Parafraseando Rui Veloso, é muito mais o que os junta do que os separa, como é aqui bem lembrado.


* via Tomás Vasques.

As sentenças de Proença

Pedro Proença é daqueles árbitros que não enganam ninguém. Tem tudo para ser um árbitro de categoria internacional, tem qualidade para isso, mas quando apita os encontros do Benfica prejudica sempre o clube da Luz. Dizem que é sócio, pelo que apenas se compreende com um complexo mental, em que prejudica para não ser acusado de beneficar o clube do seu coração. Vítor Pereira, presidente da arbitragem, sempre soube ser imparcial quando apitava encontros do seu clube (Sporting) com o Benfica ou com o Porto. Recordo-me de que até os encarnados queriam que fosse ele a apitar os encontros. E foi há dois anos que Proença provou o seu complexto mental, ao ser o único a ver um penalty sobre Lisandro, jogador que, meses mais tarde, foi punido pela simulação que "enganou" Proença. O Benfica empatou e se tivesse ganho, como deveria, subiria ao primeiro lugar. A partir daí, o Porto embalou para o título e esse jogo foi decisivo.
No próximo Domingo, saberemos o que contar com Proença. E quem o nomeou para este encontro sabe muito bem disso. Como afirmaram vários portistas, este ano vai ser diferente e o Porto tem de ser campeão. Custe o que custar. Com ou sem batota.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No Atlântico



(Michael Bublé, "Feeling good")

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os amigos são para as ocasiões


Cliquar na imagem para ampliar.

Leituras

1. Do BPN a equipe de Catroga não falou;
2. Mais uma razão para não votar Cavaco. Porque a minha memória não é curta.

Jornalismo desportivo

O jornalismo desportivo é um caso paradigmático de como os media são tendenciosos e parciais. Atentemos, por exemplo, no Record, diário que, todos os dias sem excepção, dedica pelo menos uma página inteira ao Real Madrid, desde que Mourinho assumiu o comando técnico dos merengues. Tem a capa, tem a habitual coluna de opinião na página 2 e, voilá, a "coluna" dedicada ao Real Madrid, antes dos clubes portugueses e do desporto nacional. Nesta "coluna" não se faz outra coisa senão elogiar Mourinho, Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho e Pepe. Podem fazer asneira num determinado jogo, mas são sempre entronizados como os deuses do Record.
Outro exemplo, esta época, foi o Málaga de Jesualdo Ferreira. Semana após semana, era ler as páginas do jornal a escrever apenas coisas boas do treinador português e dos grandes sucessos do Málaga. Tão grandes, mas tão grandes, veja-se só, que o clube está em lugar de descida de divisão (18º) e acaba de despedir o treinador português, aquele magnífico deus do futebol. Aliás, não se compreende, de todo, como é que o clube espanhol não se apercebeu ainda de todas as virtudes que o Record apontou nos últimos meses a Jesualdo Ferreira. Devem ser mesmo burros.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não aprender com os erros dos outros

O grande erro deste governo, em termos financeiros, foi pensar que ultrapassava a crise sem medidas extremas e más para as pessoas e empresas. Sócrates e alguns acólitos, como Manuel Pinho, Mário Lino ou António Mendonça, continuaram a pensar que podíamos continuar com as mesmas políticas económicas que adoptaram desde 2005. Teixeira dos Santos, que só continuou no governo por causa da situação extrema do País e pela cegueira megalómana do grande chefe, era cada vez mais um homem só no governo, exceptuando talvez Vieira da Silva, a outra voz prudente deste executivo. A dura realidade acabou por mostrar a Sócrates e seus fiéis que as ideias futuristas tinham de ser repensadas, os objectivos reapreciados e as medidas corrigidas. A crise mundial acabou por nos abalar e está aí com toda a sua pujança, também por força de alguns que tinham interesse nisso para enriquecerem do dia para a noite. E enriqueceram e nós ficámos mais pobres. O grande erro deste governo foi não ter adoptado as medidas inseridas no Orçamento para 2011 mais cedo, nomeadamente já no Orçamento para o presente ano, adiadas na expectativa de a crise não nos atingir em cheio. E é este erro que Passos Coelho, um rookie na política e um inexperiente nestas matérias, está agora a cometer, ao mostrar contentamente com o facto de o governo ter recuado em algumas das medidas propostas, especialmente no corte dos benefícios fiscais. O próprio acaba, no Facebook, por admitir que o pior ainda pode estar para vir, pois ele sabe, lá bem no fundo, que as exigências dos seus enviados especiais, Catroga e Ca., não passam de fogo de artifício para inglês ver, ou melhor... para eleitor ver. Os portugueses, como eu, ficam contentes, pois irão pagar menos em impostos, mas a medida acaba por ser negativa, pois era tão necessária quanto impopular. Sócrates subiu os salários da Função Pública e reduziu o IVA em vésperas de eleições e venceu-as. Os resultados estão à vista. Passos Coelho e a longa fila de boys que o seguem e acenam com o cartão do partido já só pensam no poder. Os resultados virão lá para o próximo Verão. Só não venham é, então, culpar Sócrates pela bancarrota. É que serão tão culpados quanto aquele.