quinta-feira, 29 de julho de 2010

RIP Freeport

Em Fevereiro de 2005 nasceu o Proc. nº 77/05.2JASTB. Foi na Comarca do Montijo, mas passado um ano viajou para o DCIAP, em Lisboa, onde Cândida Almeida o aguardava.
Mais tarde, ficou a saber-se como nasceu e quem o deu à luz. Marinho Pinto, na revista da Ordem dos Advogados, conta a estória toda, onde fica demonstrado o caminho sinuoso e vergonhoso desde uma vivenda na Aroeira até à queixa formal, nuam carta supostamente anónima, elaborada por um adversário político do principal visado na queixa, José Sócrates, e após reunião (na tal vivenda) com o chefe de gabinete do Primeiro-Ministro em funções (e o principal adversário de Sócrates, para quem perdeu o cargo), dois jornalistas amigos e uma inspectora da Polícia Judiciária de Setúbal.
A "bomba" explodiu no jornal Independente (um dos jornalistas esteve na tal reunião da Aroeira) e deflagrou em duas primeiras páginas seguidas, imediamente antes das eleições legislativas que deram a maioria absoluta ao principla visado na queixa "anónima". Apurados os resultados oficiais, o processo adormeceu por largo período, tendo acabado por acordar da hibernação - que estrondosa coincidência! - em vésperas de novas eleições legislativas, às quais concorreu novamente o principal visado da denúncia.
Pelo meio, notícias e mais notícias, boatos, suspeições, pressentimentos, opiniões, presunções, deduções, mas provas nada. O objectivo da denúncia tornou-se claro aos olhos dos portugueses: queimar Sócrates. Pacheco Pereira, Ferreira Leite (com a política de verdade), Santana Lopes, Moura Guedes, Moniz, José António Saraiva, José Manuel Fernandes, ao longo de anos destilaram ódio e mostraram o que os movia. Em Julho de 2010, o Inquérito chega, finalmente, ao fim, com acusação a dois arguidos, ficando Sócrates ilibado de qualquer acusação. Centenas de fugas de informação e de crimes de violação de segredo de justiça depois, o Diabo em pessoa (aos olhos dos nomes em cima referidos) safava-se. Isto não se faz!...
A verdade é que, ao longo destes anos, os órgãos de comunicação social que não gostavam de Sócrates tomaram partido, foram parciais, violaram as mais elementares regras deontológicas e éticas, desrespeitaram pessoas (os familiares, como a Mãe, foram metidos ao barulho), escavaram meio Mundo à procura de algo incriminatório, mas nada. Nada de nada. Que frustração devem sentir essas pessoas.
No fundo, Sócrates até pode ter cometido alguma ilegalidade. Não sabemos e dificilmente alguma vez saberemos. A investigação nasceu torta e, como diz o povo, o que nasce torto dificilmente se endireita. Fabricaram um processo-crime com fins políticos e pessoais, o que, desde logo, amputou a investigação de um elemento essencial para a descoberta da verdade: cabeça limpa, sem preconceitos, e espírito crítico na análise dos factos. Como o objectivo não era descobrir a verdade mas antes queimar um adversário político, a investigação ficou coxa à nascença e coxa morreu ontem. Foi, parafraseando o Público, um dia difícil para os detractores.
De tudo isto, quase ninguém sai incólume. Sobretudo a comunicação social que, ao longo de anos, cavalgou a onda mediática, a febre judicialista e colaborou activamente no extremar de posições (quem defendia Sócrates era visto como a encarnação do demo) e na propagação de mentiras e boatos, favorecendo claramente uma das posições em detrimento da outra. E não vale a pena tentarem sacudir a água do capote, como já quase todos tentaram, pois os portugueses não são parvos e perceberam o papel dos media nesta estória. Não é por acaso que as vendas de jornais diminuíram, nomeadamente do Público, do Sol e do Independente, e da perda de audiências, sobretudo da TVI. Podem pensar que é coincidência (como as notícias só aparecerem nas vésperas de eleições), mas não é.
Para resumir tudo isto numa palavra (que até ilustra bem como funciona este país), terei de escolher esta: tristeza.
.
Adenda: ler o Daniel Oliveira, no post "O atalho".

3 comentários:

Bettencourt de Lima disse...

Politica canalha

Assente e aceite, baseada em lugares comuns, engodo fácil para néscios e gente amoral,
está a utilização sistemática da insídia, da calúnia, do vilipêndio para atingir adversários
políticos, vender jornais, gastar horas de televisão e, enquanto dura, promover figuras
públicas, com estatuto de «justiceiros». Algumas pessoas, que, passada a «onda»,
voltam necessariamente à vulgaridade.
São conhecidos os jornalistas, comentadores e pivôs de televisão que alimentam estes
processos.
Cientes das «verdades» insofismáveis de ditados populares como «não há fumo sem
fogo», «quem anda à chuva é que se alaga» etc., e cientes do peso que estes têm
na formação do pensamento dos mais incautos, lá estão eles sempre disponíveis,
pressurosamente disponíveis, para nos dar conta da «riqueza» do seu pensamento
enquanto arrastam a barriga pela lama, numa volúpia irreprimível.
Bom, assim é, assim será. Agora, o que não se pode esquecer e perdoar é uma
campanha política para as eleições europeias e legislativas conduzida na base
destas «técnicas» e que teve como protagonistas a anterior direcção do PSD, presidida
por Manuela Ferreira Leite e assessorada por Pacheco Pereira.

Politica canalha.

Para memória futura.

aires disse...

tristeza sim, mas tambem miseria, falta de coluna vertebral e de principios...
abraço

Ricardo Sardo disse...

É por esta é por outras que o país não sai da cepa torta, Aires. E poucos percebem isto.
Abraço.