segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De volta à Idade Média

"Sócrates, o Pinócrates, em caso de dúvida, é culpado."

Esta frase é, em si, toda uma ideologia e demonstra como pensa muito tuga: a democracia é boa quando nos convém mas uma chatice quando emperra as nossas convicções e os nossos desejos. É como aqueles que, depois de se provar que alguns condenados à morte no Texas eram inocentes (com provas de ADN, entretanto possíveis), continuam a pensar que de certeza que teriam feito algum mal e que, lá bem no fundo, eram más pessoas, tentando, dessa forma, justificar a sentença.

3 comentários:

aires disse...

Excelent...

Graza disse...

O Ricardo diz em baixo: "...é altura de assumir responsabilidades pelos erros cometidos", mas a ideia que tenho do estado das coisas é que já passamos essa fase, logo, um apelo desfasado sem que ninguém tenha sentido essa necessidade de assumir o que quer que fosse, e o patamar é já outro. Para mim, de maiores radicalismos, se não quisermos por em causa o próprio Estado!

Como não sou da àrea da Justiça, não tenho bem a noção do que pode sentir um operador dela, mas confesso que se fosse, me sentiria muito triste ao ver o seu estado actual, mas também sei que cada corporação desenvolve a sua frieza própria para poder cumprir a função sem que isso contamine demasiado o seu desempenho. Pode ser que assim seja. E talvez seja por isso que o Ricardo fala ainda em "assumir responsabilidades".

Abraço.

Ricardo Sardo disse...

Não há provérbio mais português do que a culpa morre solteira. Ao longo da nossa História, assumir responsabilidades e erros sempre foi penoso. Tirando raras e honrosas excepções, sempre fomos, enquanto povo, de eximir-nos das nossas responsabilidades, atirando a batata quente para os outros. Ainda há momentos li que o actual treinador do Porto desculpou-se das derrotas (sábado e ontem) com o mau relvado, a má bola e, já no segundo jogo, com o árbitro. São os nossos genes tugas. Nunca temos a culpa de nada e nunca erramos. E é neste sentido que escrevi que á altura de assumirmos responsabilidades, porque erros foram cometidos pelos procuradores titulares do processo, a começar, desde logo, por terem publicado no despacho de arquivamento/acusação as 27 perguntas. Noutros blogues, ligados às magistraturas, já questionaram esta opção. E já nem falo nos banhos que deveriam ter tomado nas últimas semanas para nao terem tempo de ouvir o principal visado...
Muito haveria a escrever. Muito mesmo. Mas começa a faltar a motivação para estar constantemente a apontar os erros e a denunciar os defeitos.
Abraço.