quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Greve de zelo?

Nem tudo o que parece é, mas esta notícia lança a suspeita de se tratar de uma greve de zelo por parte do magistrado judicial. Li a notícia completa e a desculpa avançada pelo Juíz nos despachos enviados aos advogados para o adiamento das diligências é que necessita de prestar assistência à família por causa da crise e dos cortes salariais que irá (ele, o Juíz) sofrer com o orçamento.
Ora, esta desculpa não tem qualquer fundamento. Em primeiro lugar, os cortes serão apenas para 2011, pois a medida será aplicada com o orçamento para o próximo ano, pelo que ainda não sofreu o corte. Em segundo lugar, alega que necessita de prestar assistência à família por causa da crise, mas não explica como. Ora, se necessita de mais dinheiro, então faria sentido, sim, trabalhar mais, de forma a auferir mais em horas extraordinárias, já que está legalmente impedido de auferir outros rendimentos (mesmo a dar aulas).
Nem tudo o que parece é, mas este parece claramente ser um caso de greve.

I wonder why...

Não deixa de ser curioso que, até agora, só tenha lido este post do Eduardo Pitta sobre o escândalo lançado esta semana pelo Correio da Manhã sobre prostitutas e altas figuras (magistrados, deputados, ex-governantes, etc), numa suposta rede que envolve um repórter da RTP. Nenhum dos blogues que tantos posts têm produzido sobre outros escândalos (Casa Pia, Freeport, Face Oculta, BPN) se pronunciou sobre este caso. Estranho? Talvez não.
Não deixa de ser curioso, também, que o jornal que publicou a notícia não tenha, até hoje, referido qualquer nome dos envolvidos, ao contrário do que fez nos restantes escândalos. Estranho? Talvez não.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As duas faces da mesma moeda (2)

Mais duas provas (esta e esta), descobertas pelo CC, de que o PSD não faria, como não fez no passado nem fará no futuro, melhor que o PS.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Movidos pelo ódio.

Antes do Porto - Benfica, o sportinguista Daniel Oliveira comentava no Record a posição dos adeptos leoninos e as suas preferências para o desfecho do clássico entre rivais. Classificou os adeptos do seu clube em três categorias. O próprio insere-se no grupo dos "éticos", que prefere a verdade desportiva e são sempre contra o tráfico de influências, a batota e a barbárie. Mas confessa aquilo que todos sabemos, que esta categoria de sportinguistas é minoritária, pois a larga maioria prefere ver o Benfica perder sempre, mesmo contra o Porto, toldados pelo ódio, como já aqui, aliás, comentei. Já hoje, um dos máximos representantes do clube de Alvalade, ainda por cima advogado, manifestou regozijo pela goleada sofrida ontem pelos vizinhos da 2º Circular. Na blogosfera, bloggers sportiguistas seguiram na mesma linha. Todos contentes, não porque estejam à frente do Benfica (ainda há bem pouco tempo perderam com "este" Benfica), mas porque o inimigo, que tanto odeiam, perdeu e perdeu por margem gorda. Para estes, não interessa se haja batota ou crimes por detrás dos resultados, o que interessa é ver o inimigo sofrer. Vivem para isso e para mais nada. Sem o Benfica não são nada e sentiriam um enorme vazio na alma, porque a sua alma alimenta-se do ódio visceral. Apoiam o Porto, como o fizeram no Apito Dourado, estendendo a mão com a esperança de continuar a auferirem das migalhas atiradas (há algumas semanas alguém perguntava se achavam que, para os "amigos" do Norte, não são mouros). Têm seguido uma cultura e uma gestão de subserviência, que chegou à oferta dos melhores jogadores a preço de saldo. É por causa disto que nós, benfiquistas, distinguimos sportiguistas de lagartos. Os primeiros torcem pelo seu clube e querem o melhor para ele. Os segundos trocem contra o Benfica e querem o pior para este. Os primeiros são verdadeiros sportiguistas, os segundos meros anti-benfiquistas, como se pode verificar nos programas desportivos. E de negativismos a História nunca gostou.

O retrato de Portugal?

Tiago Mesquita, no Expresso, defende que a Casa dos Segredos não é um fiel retrato de Portugal. Pois eu não sei. Começo a pensar que sim, que a maioria de nós é mesmo assim...

Triste Justiça

1. Alega o Procurador Político que "no sector da Justiça, apenas a ASJP não tomou uma decisão definitiva". Ora, que eu saiba, os advogados, que também fazem parte do sector da Justiça, não se pronunciaram sobre a greve ou uma eventual adesão à greve. Portanto, das duas uma, ou o Procurador Político esqueceu-se dos advogados ou então - o que é mais grave - não os considera como membros de pleno direito do sector da Justiça. Eu bem sei que, para a maioria dos magistrados do MP, os advogados estão a mais no sistema judicial e deviam ser exterminados. Mas admiti-lo num órgão de comunicação social é demonstrativo de como chegámos à total falta de pudor e de respeito dos representantes das classes profissionais.

2. Um mata, o outro esfola. Ou se preferirem, junta-se a fome à vontade de comer. Dois ditados populares que caracterizam na perfeição o conluio entre MP e Passos Coelho. O primeiro, na pena do seu representante sindical, criticou a alegada impunidade dos governantes. O segundo, nums desvario de fim-de-semana, veio defender a criminalização daqueles que desperdiçam dinheiros públicos. * Já nem pergunto se Passos Coelho quer ver os seus colegas de partido presos pelo que se passou no BPN (ou será que se esquece do peso desta burla nos orçamentos de estado?), ou o Dr Portas pelos submarinos, pois, por uma questão de coerência, estes teriam que fazer companhia a Sócrates e seus acólitos na ala mais mediática do EPL. Ou mesmo a sua antecessora no cargo, Ferreira Leite, que fez aquele magnífico negócio com o Citigroup. Com uma alternativa destas, que é capaz de criticar este governo?

3. O que veio a público até agora do processo Face Oculta, para além de mostrar como se fazem negócios em Portugal e como se ganham uns trocos para se comer, levantou legítimas dúvidas obre a actuação de certos agentes da Justiça. Há pouco fiquei a conhecer mais um caso extraordinário do nosso MP: a insinuação cobarde, sem provas ou meros indícios. Como não conseguem condenar em julgamento (ou sequer levá-los a julgamento), toca a condenar na praça pública e a deixar dúvidas no ar. Triste.


* Esta coincidência de ideias entre João Palma e Passos Coelho também foi reparada pelo Tomás Vasques.

Parque da Bela Vista, 31 de Julho de 2011



Mais info aqui.

domingo, 7 de novembro de 2010

Decidido

O título nacional de futebol está decidido. Não ficou decidido hoje, com a goleada (merecida) do Porto ao Benfica, mas ficou decidido depois de Pinto da Costa ter "garantido" que este ano as coisas seriam diferentes, ficou decidido com os almoços e jantares de Pinto de Sousa (prinicipal arguido do Apito Dourado) com árbitros logo no início da época, ficou decidido com a prestação execrável de Olarápio Benquerença em Guimarães, ficou decidido com a vantagem rapidamente conseguida pelo Porto (que não existiria se não tivessem havido erros da arbitragem), ficou decidido em Maio quando o Benfica se sagrou campeão nacional e fez eclodir ódios e medo de perderem a hegemonia do sistema. É fácil dizer que o Porto é de longe - porque o é - a melhor equipe nacional neste momento. É fácil quando se ganha balanço à custa de factores externos, é fácil quando se tem ajuda. O ano passado fizeram-no com o Braga, mas o Benfica, apesar de muitas jornadas atrás do minhotos na classificação, conseguiu ser mais forte que tudo e todos (incluindo ao roubo de Braga, protagonizado pelo árbitro ex-super dragão Jorge Sousa) e ascender ao primeiro lugar e conquistar o título. Este ano, como já se viu, não tem a qualidade que tinha na época transacta e terá que se dedicar às restantes competições. E esperar que o Sporting, toldado pelo ódio ao Benfica, acorde para a vida e se coloque no lado certo na guerra pela Justiça e pela verdade desportiva, para que os jogos e as competições se decidam no relvado e pelos jogadores - e só por eles.

sábado, 6 de novembro de 2010

A Justiça falha (2)

Fica mal a quem trabalha diariamente num Tribunal, ainda por cima no Supremo, não admitir que errar é humano e toda a gente erra. Concordo que o programa da SIC acaba por fazer um julgamento público (normalmente o julgamento nos jornais visa condenar os suspeitos, mas neste caso visa absolver), mas perante tantas dúvidas - legítimas e coerentes - fica-nos bem admitir que todos nós podemos errar, que ninguém é perfeito nem há deuses que aplicam a Justiça sem falhar. Infelizmente (e neste ponto concordo com o Bastonário da OA), alguns juízes consideram-se deuses que vivem no Olimpo, longe do Povo e longa da realidade. Pensam que nunca erram e consideram-se perfeitos. Julgam-se livres de defeitos e ricos em virtudes. Por muitas críticas que o programa mereça, não merecia, certamente, um ataque destes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As sentenças de Proença (2)

O penalty fantasma de Yebda sobre Lisandro, há dois anos, foi apenas um entre muitos casos em que o suposto sócio do Benfica prejudicou o Benfica e ajudou o Porto, como aqui bem recordado. O historial desta personagem é vasto e o curriculum esclarecedor. Domingo teremos, estou certo, da confirmação de que este sujeito é mesmo sócio do Benfica.

Incompetência ou manipulação? (2)

Entretanto, às 11:50 de hoje, sexta-feira, a incompetência ou a manipulação continua no Expresso. Jornalismo do bom, este...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Justiça falha

E todos os dias. Estes casos, relatados pela SIC no programa "Condenados", são apenas alguns exemplos. Errar é humano e todos nós erramos, mas quando está em causa a vida e a liberdade das pessoas e se condena sem provas inequívocas e irrefutáveis e sem certezas algo está mal.

Incompetência ou manipulação?

O CC chamou a atenção para uma notícia falsa do Correio da Manhã, que era igual à do Expresso. Escrevo "era" porque, entretanto, o CM corrigiu e lá alterou o título. Mas o Expresso, à hora que escrevo (19h), continua com o título errado.
Perante a fonte do notícia não se compreende como é que os jornalistas escrevem uma peça com dados falsos. Ou fazem-no por distracção, que significa incompetência, ou fazem-no propositadamente, que significa manipulação grosseira da informação. Bem sabemos quais são as preferências políticas destes dois jornais, mas, já dizia a personagem do Herman José Diácono Remédios, não havia necessidade...
.
Adenda: parece que se trata de incompetência pura e dura, pois os textos do CM, do Expresso e de outros jornais é igual ao take da Lusa. Ou seja, trata-se de mais um (entre inúmeros) caso em que os jornalistas copiam o texto original (copy/paste), sem analisarem a fonte da informação e sem compara-lá com o texto que copiam da Lusa. Ou seja, por desleixo acabam por copiar os erros dos outros. Depois admiram-se de venderem poucos jornais em Portugal. Pudera!

As duas faces da mesma moeda

Faz hoje uma semana que questionei se o País estaria melhor se tivesse sido o PSD a governar em vez do PS. A resposta é necessariamente negativa, não só pela falta de ideias do PSD (que se traduziu num vazio de propostas para colmatar os 500 milhões de euros), como pelas previsões semelhantes dos economistas afectos ao PSD (até Cavaco reconheceu, no recente anúncio de recandidatura, que se enganou nas previsões) e, sobretudo, pelo passado do partido no governo. De facto, quando governou o PSD cometeu os mesmos erros do PS e a situação financeiro-económica do país piorou tanto ou mais do que com os socialistas no poder. Estes dados*, objectivos e claros, mostram como as coisas muito dificilmente teriam sido diferentes com os sociais-democratas a mandar. Alguns exemplos: o TGV, tão criticado, também fez parte dos planos do último governo PSD; o novo aeroporto teve a concordância dos sociais-democratas a partir do momento em que foi "transferido" para a Margem Sul; os submarinos eram ideia de Guterres e Paulo Portas/Durão Barroso/Ferreira Leite; os gastos do Estado aumentaram mais com o PSD do que com o PS, apesar deste ser tão (justamente) criticado pelos primeiros. Muitos outros exemplos poderia dar, muitos outros nos lembramos. Parafraseando Rui Veloso, é muito mais o que os junta do que os separa, como é aqui bem lembrado.


* via Tomás Vasques.

As sentenças de Proença

Pedro Proença é daqueles árbitros que não enganam ninguém. Tem tudo para ser um árbitro de categoria internacional, tem qualidade para isso, mas quando apita os encontros do Benfica prejudica sempre o clube da Luz. Dizem que é sócio, pelo que apenas se compreende com um complexo mental, em que prejudica para não ser acusado de beneficar o clube do seu coração. Vítor Pereira, presidente da arbitragem, sempre soube ser imparcial quando apitava encontros do seu clube (Sporting) com o Benfica ou com o Porto. Recordo-me de que até os encarnados queriam que fosse ele a apitar os encontros. E foi há dois anos que Proença provou o seu complexto mental, ao ser o único a ver um penalty sobre Lisandro, jogador que, meses mais tarde, foi punido pela simulação que "enganou" Proença. O Benfica empatou e se tivesse ganho, como deveria, subiria ao primeiro lugar. A partir daí, o Porto embalou para o título e esse jogo foi decisivo.
No próximo Domingo, saberemos o que contar com Proença. E quem o nomeou para este encontro sabe muito bem disso. Como afirmaram vários portistas, este ano vai ser diferente e o Porto tem de ser campeão. Custe o que custar. Com ou sem batota.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

No Atlântico



(Michael Bublé, "Feeling good")

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os amigos são para as ocasiões


Cliquar na imagem para ampliar.

Leituras

1. Do BPN a equipe de Catroga não falou;
2. Mais uma razão para não votar Cavaco. Porque a minha memória não é curta.

Jornalismo desportivo

O jornalismo desportivo é um caso paradigmático de como os media são tendenciosos e parciais. Atentemos, por exemplo, no Record, diário que, todos os dias sem excepção, dedica pelo menos uma página inteira ao Real Madrid, desde que Mourinho assumiu o comando técnico dos merengues. Tem a capa, tem a habitual coluna de opinião na página 2 e, voilá, a "coluna" dedicada ao Real Madrid, antes dos clubes portugueses e do desporto nacional. Nesta "coluna" não se faz outra coisa senão elogiar Mourinho, Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho e Pepe. Podem fazer asneira num determinado jogo, mas são sempre entronizados como os deuses do Record.
Outro exemplo, esta época, foi o Málaga de Jesualdo Ferreira. Semana após semana, era ler as páginas do jornal a escrever apenas coisas boas do treinador português e dos grandes sucessos do Málaga. Tão grandes, mas tão grandes, veja-se só, que o clube está em lugar de descida de divisão (18º) e acaba de despedir o treinador português, aquele magnífico deus do futebol. Aliás, não se compreende, de todo, como é que o clube espanhol não se apercebeu ainda de todas as virtudes que o Record apontou nos últimos meses a Jesualdo Ferreira. Devem ser mesmo burros.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Não aprender com os erros dos outros

O grande erro deste governo, em termos financeiros, foi pensar que ultrapassava a crise sem medidas extremas e más para as pessoas e empresas. Sócrates e alguns acólitos, como Manuel Pinho, Mário Lino ou António Mendonça, continuaram a pensar que podíamos continuar com as mesmas políticas económicas que adoptaram desde 2005. Teixeira dos Santos, que só continuou no governo por causa da situação extrema do País e pela cegueira megalómana do grande chefe, era cada vez mais um homem só no governo, exceptuando talvez Vieira da Silva, a outra voz prudente deste executivo. A dura realidade acabou por mostrar a Sócrates e seus fiéis que as ideias futuristas tinham de ser repensadas, os objectivos reapreciados e as medidas corrigidas. A crise mundial acabou por nos abalar e está aí com toda a sua pujança, também por força de alguns que tinham interesse nisso para enriquecerem do dia para a noite. E enriqueceram e nós ficámos mais pobres. O grande erro deste governo foi não ter adoptado as medidas inseridas no Orçamento para 2011 mais cedo, nomeadamente já no Orçamento para o presente ano, adiadas na expectativa de a crise não nos atingir em cheio. E é este erro que Passos Coelho, um rookie na política e um inexperiente nestas matérias, está agora a cometer, ao mostrar contentamente com o facto de o governo ter recuado em algumas das medidas propostas, especialmente no corte dos benefícios fiscais. O próprio acaba, no Facebook, por admitir que o pior ainda pode estar para vir, pois ele sabe, lá bem no fundo, que as exigências dos seus enviados especiais, Catroga e Ca., não passam de fogo de artifício para inglês ver, ou melhor... para eleitor ver. Os portugueses, como eu, ficam contentes, pois irão pagar menos em impostos, mas a medida acaba por ser negativa, pois era tão necessária quanto impopular. Sócrates subiu os salários da Função Pública e reduziu o IVA em vésperas de eleições e venceu-as. Os resultados estão à vista. Passos Coelho e a longa fila de boys que o seguem e acenam com o cartão do partido já só pensam no poder. Os resultados virão lá para o próximo Verão. Só não venham é, então, culpar Sócrates pela bancarrota. É que serão tão culpados quanto aquele.