Tenho tanta pena de PPC quanto daquele deputado do PS que acha que vai passar fome com 3700 euros de salário e quer jantar na cantina da Assembleia da República.
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Há pouco mais de um mês, já tinha abordado o assunto: considero que os cortes salariais, num momento de grave crise económico-financeira, são justificáveis, desde que sejam proporcionais (os cortes devem ser tão reduzidos quanto possível e não poderão colocar em causa a subsistência dos trabalhadores) e excepcionais, isto é, deverão vigorar apenas durante o período estrictamente necessário para o equilíbrio das contas públicas.
Ideologicamente, não tenho inclinação para apoiar mais os trabalhadores ou os patrões. Entendo que uns sem os outros não são nada. E por isso, tenho uma posição muito pouco "ortodoxa" em relação à figura da greve. Considero que deve ser um direito dos trabalhadores e deve estar bem delineado na legislação. É assim que acontece em Portugal, mas não em alguns países. E não deixa de ser curioso, até, que quase todos os países que não admitem a greve tenham regimes idoletrados pelos principais defensores da greve em Portugal. Falo, obviamente, dos comunistas.
Há dias, escrevi isto sobre o escândalo de uma suposta rede de prostituição que envolvia clientes VIP, como políticos, juízes, futebolistas, etc. Comentei que era estranho um caso com esta dimensão não ser comentado por quase ninguém nem ter tido o impacto que outros casos, bem menores e menos graves, tiveram. Eduardo Pitta foi a única excepção que encontrei na blogosfera, o único que comentou este caso. Tantos bloggers que mostraram indignação com outros casos bem menos graves e agora nem um caracter escreveram...
A Fernanda Câncio pergunta como é possível impedir a entrada de cidadãos europeus em Portugal. Convinha saber se o espaço Shengen foi "fechado" e se o controlo nas fronteiras portuguesas foi reposto ao abrigo do Acordo de Shengen ou se se trata de uma medida do governo para impedir a entrada de manifestantes anti-NATO. Se no primeiro caso, a medida é legal, já na segunda configura inclusive um crime por parte das autoridades policiais e que viola direitos constitucionais - e igualmente protegidos pela Carta Europeia dos Direitos do Homem. O problema é que os nossos jornalistas, tão competentes, não se lembraram de averiguar esta situação.
Todos nós temos dias em que nos sai tudo bem. Ou tudo mal. Hoje foi um desses dias, quer para portugueses, quer para espanhóis. Se para os primeiros, a atitude agressiva e combativa, com a ajuda da inspiração, traduziu-se numa goleada histórica, para nuestros hermanos a apatia levou ao descalabro. E só não foi uma mão cheia graças a um duplo erro grosseiro do árbitro auxiliar, que viu um offside de Nani inexistente (estava em linha aquando do remate de Ronaldo e toca na bola já dentro da baliza, pelo que teria que ser validado golo de Cristiano). A partir de amanhã, Portugal voltará a ser respeitada pelo Mundo do futebol, respeito esse perdido por Queiroz. Postiga, Moutinho e Carlos Martins, três dos melhores de hoje, foram "esquecidos" por Queiroz e Pepe, como central, "varreu tudo" e não perdeu, pelo menos que me recorde, um único lance com os adversários que lhe apareceram no caminho, incluindo situações de extrema dificuldades para um defesa (contra-ataques rápidos), o que serve de prova para Queiroz perceber que é defesa e não médio, como insistia em o colocar em campo. Mas não poderemos embandeirar em arco este resultado. Sim, o marcador final fica para História, a exibição na memória, mas convém não esquecer que a Espanha veio descontraída (ao contrário de Portugal, que queria muito vencer, para apagar a imagem dos dois últimos anos) e que se tratou de um amigável, não contando para nada senão para as contas do orgulho lusitano. E, claro, estavam em "dia não". Todavia, se alguém tinha dúvidas sobre a capacidade de Paulo Bento para orientar a Selecção, estou certo que, depois deste jogo, deixou de as ter.
"Fiquei pasmado, como toda a gente, creio, com um despacho de um juíz que decidiu reduzir o seu "horário de trabalho" diário em duas horas devido à redução da remuneração no próximo ano. É que os juízes, como todos os magistrados como outras categorias profissionais, não têm horário de trabalho, o que significa que têm que assegurar o serviço a seu cargo, ainda que com algum sacrifício, enfim o sacrifício exigível. A invocação de "horário de trabalho" pelo dito magistrado mostra à saciedade que ele errou a profissão, que não passa de um burocrata mascarado de magistrado.
Há dias questionava-me como é que o magistrado de Alenquer iria colmatar a redução de 600 euros no salário trabalhando menos. Há quem tenha avançado já uma possível resposta: juízes-a-dias.
Recebi este excerto de um despacho judicial (a parte relevante - ou interessante), tendo "tapado" as referências ao Juízo, à Secção, ao nº de processo e aos nomes nele indicados. Trata-se de um despacho real e recebi-o com os dados que omiti. Fiquei estupefacto com o que li, mas, infelizmente, já nada me espanta nos tribunais portugueses. E é também por causa disto que o país está como está e não saímos da cepa torta...


Nunca comprei o Correio da Manhã e nunca o comprarei. Dou, habitualmente, uma espreitadela no café (é o único jornal lá disponível) mas mais para ler algumas opiniões. Nunca o comprei e nunca o comprarei, poi não considero a actividade praticada pelos "funcionários" do CM como "jornalismo". Aquilo tem tanto de jornalismo quanto a minha profissão de engenharia...
Parece que o crescimento do PIB surpreendeu muitos economistas. Estamos, obviamente, a falar dos mesmos que, armados em pupilos de Nostradamus, previam o apocalipse final neste cantinho da Europa, o dilúvio que iria correr com Sócrates e toda aquela canalha de boys, que iria trazer o FMI para por ordem nesta espelunca. Claro que nada disto impede a vinda do FMI e a bancarrota, mas mostra que, apesar dos ataques de tudo o que é sítio, nem tudo corre mal nem só de asneiras vive este governo. E, mais importante, prova como estes economistas são sobrevalorizados pelos nossos media, que vão ouvir sempre os mesmos, como se Portugal tivesse apenas duas dezenas deles por esse país fora. São estes que mais criticam e atiram bitaites para os microfones - sempre disponíveis para os apanhar -, na esperança que o governo e Teixeira dos Santos os ouça, para depois colherem a glória (caso corra bem, claro, senão descartam-se de imediato), são os mesmos que dizem ter as soluções para os problemas e que fariam muito melhor, mas depois ficam "surpreendidos". Quanto à credibilidade destes senhores, estamos, pois, conversados.